19 setembro 2011

Usuários já pagaram 4 bilhões em pedágios em 2011

Valor arrecadado já é maior do que os recursos investidos em todo o ano passado em obras de modernização e manutenção das estradas

O usuário das estradas paulistas já pagou de janeiro até as 22h desta sexta-feira R$ 4,1 bilhões em pedágio. O valor supera em R$ 900 milhões o volume investido no ano passado inteiro em modernização e manutenção das estradas.


O cálculo consta do Pedagiômetro, contador virtual criado pelo jornalista Keffin Gracher,, que foi assessor de Aloizio Mercadante, candidato derrotado para a eleição do governo do Estado em 2006 e 2010. O estudo foi feito com base em balanços das empresas concessionárias do ano de 2009.


Os números, enviados à Assembleia Legislativa pelas empresas que exploram os pedágios, foram também obtidos e confirmados pelo BOM DIA. Se mantido o ritmo de arrecadação, serão pagos nas estradas R$ 6 bilhões até o fim de 2011.


Na justificativa para o reajuste concedido aos pedágios em 2011, a Artesp (Agência Reguladora do Estado de São Paulo) argumenta que em 2010 foram investidos R$ 3,5 milhões por dia em manutenção das estradas. Por ano, o reparo da malha custou R$ 1,2 bilhão às concessionárias.


Segundo o mesmo relatório, outros R$ 2 bilhões teriam sido investidos em melhorias. Os balancetes de 2010 mostram que as 18 empresas que administram pedágios em São Paulo somaram receitas de R$ 1,24 bilhão.


Para Moacyr Duarte, presidente da ABCR (Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias), as receitas das concessões estão "de acordo com o previsto nos projetos" e se justificam pelos investimentos feitos pelas empresas. "O resultado é compatível com o esperado, dentro das propostas dos contratos", disse Duarte.


MODELO
O engenheiro de transportes e professor da USP (Universidade de São Paulo) Antonio Clóvis Pinto Ferraz é crítico do modelo de concessão adotado no estado. "Em São Paulo, o valor do pedágio e a forma de reajuste são prefixados, sendo vencedor da concorrência pública o grupo empresarial que oferecer o maior valor pela compra da concessão", explica do engenheiro.


Segundo Ferraz, o modelo de concessão paulista tem a desvantagem de ter deixado as tarifas de pedágio muito elevadas, mas tem a vantagem de permitir a captação de recursos para a melhoria e a conservação das rodovias.


O Pedagiômetro aplica sobre o número de 2009 a taxa média de crescimento entre 2000 e 2008, anos mostrados nos balancetes das concessionárias, que foi de 16,7%. Para criar o contador, o jornalista dividiu a projeção de arrecadação em segundos.


"Mas é uma estimativa bastante subestimada. Eu recalculei os números com a base de 2010 e vi que a arrecadação é ainda maior. Eu vou ter de reajustar o pedagiômetro", afirmou Gracher.


Os pedágios foram tema dominante na campanha eleitoral do ano passado. Em julho de 2010, o então candidato a governador de São Paulo Geraldo Alckmin admitiu sentar com as concessionárias para rever os preços dos pedágios.


Apesar da disposição manifestada na campanha, Alckmin autorizou reajuste de 9,77% previsto em contrato em julho.


O BOM DIA tentou ouvir o governo do estado, por intermédio da Secretaria dos Transportes. A assessoria de imprensa da pasta disse que cabe à Artesp se manifestar sobre pedágios.


A reportagem buscou entrevista com algum diretor da agência reguladora por três dias, em contatos por telefone e por e-mail, mas não houve retorno.

Fonte:
Fábio Pagotto
Agência BOM DIA

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